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Artigo: ANTAGONISMO HORMONAL

Dr. Jorge Bastos Garcia

EM INDIVÍDUOS QUE APRESENTAM GENETICAMENTE REAÇÃO INSULÍNICA ALTA FRENTE AOS CARBOIDRATOS.

Toda realidade no Universo é igual, a função do sistema de forças. Em qualquer lugar e em tudo esta equação é válida. O antagonismo de forças é uma constante.

Esta verdade também é válida para o nosso microuniverso. Para o nosso corpo e para todas as suas funções. O antagonismo a nível de elétrons, de átomos, de moléculas, células, órgãos, sistemas e aparelhos.

Quando uma destas forças, em sua ação tende superar sua opositora. A conseqüência é o desequilíbrio. E este, se mantido tende a causar uma reação ineficiente da outra força.

No sistema hormonal endócrino estas ações de forças antagônicas ficam muito bem caracterizadas. Vamos tomar como exemplo o pâncreas e seus hormônios. A insulina e o glucagom são os hormônios pancreáticos.

O glucagom é elaborado pelas células ALFA das ilhotas de Langerhans e a insulina pelas células BETA.

O principal efeito direto da insulina no fígado é contrapor-se aos efeitos do glucagom. Com menos glucagom e mais insulina atuando no fígado, a liberação de glicose se reduz

A liberação de glucagom pelas células alfa das ilhotas de Langerhans no pâncreas é inibida pelos ácidos graxos, ao passo que a secreção de insulina é induzida pelos mesmos.

Na corrente sangüínea, a molécula de glicose endógena, ou a que resulta da ingestão de macronutrintes principalmente os carboidratos de glicose, elevam o nível de insulina. Tal como no fígado aqui também a assertiva é verdadeira mais insulina, menos glucagom.

A glicose tem índice glicêmico rápido. Isto é de absorção e armazenamento rápido tanto no fígado como no músculo. E rapidamente pode estar na corrente circulatória.

A insulina diminui o açúcar no sangue e o glucagom recupera os níveis de açúcar no sangue. A comunicação e o equilíbrio constante entre esses dois hormônios endócrinos, são fundamentais para a sobrevivência.

A liberação de insulina é estimulada pelos carboidratos, principalmente pelos carboidratos altamente glicêmicos. Por outro lado, o glucagom é estimulado pela proteína nutricional.

A insulina tem como palavra chave de "comando" APRESAR. E ARMAZENAR. O glucagom a palavra, ELIMINAR. Este é mais um antagonismo de função.

A insulina, é um hormônio de armazenamento. Sua tarefa é pegar o excesso de glicose dos carboidratos nutricionais e o excesso de aminoácidos da proteína nutricional e armazená-los e aprisioná-los nos tecidos adiposos como gordura, de forma que não possa ser liberada.

. Níveis de insulina alto no sangue, menos glucagom. Com isto advém desequilíbrio. A voz de comando é armazenar!.. e aprisionar!... No fígado neste instante o comando também é da insulina, portanto glucagom baixo e liberação de glicose reduzida.

O pâncreas secreta insulina na corrente sangüínea. A insulina vai para o fígado e células musculares, dizendo-lhes que retirem glicose da corrente sangüínea e a armazene. O fígado e as células musculares o fazem.

Se níveis de insulina aumentam; os níveis de glicose sangüínea diminuem. Se atingirem um nível inferior ao critico, que conhecemos com o nome de hipoglicemia, o cérebro pede glicose para o seu funcionamento. Se ele não for atendido, resultará uma falha ou uma fadiga mental.

Preste bem atenção: Nível alto de insulina é igual a retirada da glicose da circulação.Com a ordem de: armazenar e aprisionar. Ou no musculo ou no figado.

No fígado, "insulina alta x glucagom baixo" portanto, liberação de glicose reduzida para a corrente sangüínea.

Mas o cérebro precisa e somente tem acesso a glicose que é armazenada pelo fígado. A do músculo ele não tem.

Qual é a solução? Ingerir carboidratos que forneçam glicose rápida na circulação.O mesmo mecanismo se repete. E resulta em uma necessidade compulsiva por alimentos, principalmente carboidratos de glicose.

Vinte e cinco porcento dos indivíduos, apresentam geneticamente reação insulínica extremamente elevada frente aos carboidratos. Neles este mecanismo que vimos é uma constante.

Nós sabemos que o fígado só armazena 60 a 90 g de glicose e o músculo 300 a 400 g. O restante é armazenado pelas células adiposas. No tecido adiposo e sob a forma de gordura.

Quando submetemos este tipo de indivíduo a um regime dietético. Seja ele, qual for, qualquer tipo de dieta que ele faça, mesmo que perca peso em balança, este peso será sempre perdido da massa magra e nunca em percentual de gordura.

Pois, mesmo que ingira o mínimo, por ter geneticamente reação insulinica alta, o mecanismo estará sempre, aprisionando e armazenando.

Estes, são aqueles que são chamados de mentirosos, pois mesmo que comam pouco, engordam. São aqueles que tem que sempre ouvir: "você não seguiu a dieta direito".

Nestes indivíduos, se por acaso, for conseguida uma perda no percentual de gordura. Quando pararem a dieta, as células do tecido adiposo estarão dez vezes, mais ávidas por gordura, do que quando iniciaram o "regime dietético". Aliás isto também ocorre com qualquer pessoa, que quando submetida a uma dieta, perde mais do que é geneticamente permitido.Isto é uma perda de 500 a 750 gr por semana.

O que não podemos esquecer é que uma prolongada alta de insulina, leva ao acúmulo de excesso de gordura corporal, diabetes, como também, acelera o desenvolvimento de doenças cardíacas.

O que fazer, com indivíduos que apresentam este problema? A primeira coisa a analisar é: que se este indivíduo sabe, que ele é portador de uma alteração genética, não rara, pois 25% das pessoas têm este perfil.E que ele terá que se submeter a uma orientação dietetica, que possa desativar, a preponderância de forcas do sistema endocrino, a nível de pâncreas.Isto é, terá que aprender através da nutrição, restabelecer o equilíbrio de ação dos hormônios pancreáticos.Neste caso regulando a preponderância da insulina em relação ao glucagom com:

  1. a presença de fibras.
  2. aumento da presença do percentual de gordura nas refeições.
  3. redução da ingestão de alimentos, que sejam indutores rápidos de insulina e percentual de carboidratos nas refeições.
  4. organização de refeições equilibradas em percentuais de carboidrato, proteína e gordura através dos macronutrientes dos alimentos.
  5. aumento na refeição da ingestão de proteína, pois o glucagom é estimulado pela proteína nutricional.


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